Foram os Sussurros que Me Mataram

Brasil. 2021. Drama. Cor. 75 min. [14]


Sinopse
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Ingrid Savoy, uma celebridade prestes a entrar em um reality show, passa seus dias confinada em um quarto de hotel. Entre visões premonitórias, um ataque de paparazzi e atentados anarquistas que rebentam pela cidade, a artista vive a constante iminência de um escândalo.

Nota da Direção

“Foram os Sussurros que Me Mataram” é o primeiro longa-metragem de ficção do cineasta e artista visual Arthur Tuoto. Ao transpor elementos já presentes em seu trabalho na videoarte e no cinema experimental, o filme articula um conceito narrativo inédito na carreira do diretor. Apesar da abordagem experimental, a obra se debruça sobre uma tradição da encenação e da palavra. Uma herança dramática que tira do dispositivo essencial da cena e, consequentemente da sua subversão, suas possibilidades cinematográficas. O filme concilia um drama de procedimentos clássicos (o diálogo como força motora essencial da história) com uma aproximação fantástica e de exploração visual inventiva. A principal característica da obra, nesse sentido, é o seu tom anti-naturalista. Não buscamos um realismo na dinâmica da cena, mas um jogo irreverente, uma entonação empossada que revele uma ambiguidade. Estamos entre o patético e o solene, o melodrama e o humor. Os personagens acreditam piamente no que dizem, mas existe uma lógica do absurdo que integra todos os seus entornos. A partir desse tom dúbio, o filme vislumbra uma série de reflexões que vão desde a lógica do entretenimento no mundo contemporâneo à relação entre espectador e produto, evidenciando um mecanismo de consumo que parte da adoração de uma personalidade – a natureza do fenômeno da celebridade em si – e está ligado diretamente a um imperativo da imagem. Adoramos não só pessoas, mas suas imagens, suas “entidades imagéticas” que são elaboradas pelo aparato midiático. Ingrid, nossa protagonista, não é apenas a representação de uma celebridade, mas simboliza essa entidade, essa força espetacularizada de natureza cada vez mais complexa. Ainda que a tipificação exista, especialmente em certas excentricidades habituais caricatas, a personagem não deve ser nivelada a uma simples condição clichê e previsível de pessoa famosa. Ingrid desestabiliza seu entorno a todo momento. Ao mesmo tempo em que ela é passiva e mesmo objetificada em seu papel profissional, questiona e subverte uma ordem imposta. As reflexões que a personagem e que todo o filme propõe estão muito mais interessadas em deixar pontos abertos do que em esclarecer seus motivos, assumindo a livre associação de ideias como um motor dramatúrgico. Nesse sentido, partimos de referências cênicas do cinema de Hal Hartley e Júlio Bressane. Um cinema onde os personagens constantemente se encontram em um estado indefinido. Onde cada fala soa como uma citação e cada citação como uma fala. Tudo dentro de um ritmo, uma musicalidade, um bate e volta na interação e nos diálogos. Visualmente, o trabalho busca uma relação plástica que dê conta desse universo distópico e impessoal proposto. Diretores como Leos Carax, David Cronenberg e Nicolas Klotz são referências essenciais. Um rigor formal, com planos estáticos e uma iluminação alegórica, reiteram o caráter imaginativo da narrativa, reforçando uma atmosfera sombria que se encontra entre sonho e realidade. Os cenários igualmente possuem uma transitoriedade constante. Cores se modificam, objetos desaparecem. Nada é confiável. A abordagem visual espelha a alienação da personagem. Ingrid perde a noção do tempo e se confunde com o espaço. O filme se reordena e desordena junto com as impressões da protagonista. O espectador, assim como ela, fica suspenso nessa condição ambígua, submisso a um fluxo temporal e plástico de princípios próprios.

Arthur Tuoto – Diretor

A Equipe Que Fez Tudo Acontecer

Elenco
Mel Lisboa, Carla Rodrigues, Otavio Linhares, Isabela Lago, Pedro Gaeta, Patrick Sampaio
Roteiro e Direção
Arthur Tuoto
Produção
Antonio Junior
Produção Executiva
Raiane Rodrigues
Direção de Produção
Max Leean
Direção de Fotografia
Eduardo Azevedo
Direção de Arte
Ana Bona
Montagem
Aristeu Araújo
Direção Assistente
Jessica Candal
Continuidade
Isabel Orengo
Cenografia
Guenia Lemos
Figurino
Igor Urban
Maquiagem e Cabelo
Giulina Genari
Produção de Elenco
Jaciara Rocha
Efeitos Especiais
Rodrigo Aragão
Som Direto
Tulio Vieira Borges
Microfones
Carmem Agulham
Música Original
Felipe Ayres
Som e Mixagem
Alexangre Rogoski, Dennys Rocha

Fotografia Still

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